Sousas, 21 de novembro de 2008
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Nossa História


BENDITO MALDITO MIOJO


Escrevo este artigo por compaixão. Me dá muita pena ver tanta gente comendo quase todos os dias, entusiasmada, o miojo apenas com aquele temperinho que vem na embalagem – só porque não demora mais que três minutos e pode ser feito por autistas, mongolóides e até por filhos da gente. Se você está em férias, espremido numa barraca de camping ou empilhado num apartamentinho emprestado e não quer se preocupar com o estômago, tudo bem. Digamos que sejam situações de emergência. Mas, em casa – porque é estudante, porque mora só ou por puro comodismo – é melancólico. Afinal, há muitas maneiras saborosas de se preparar o miojo e fugir do simples "enche-barriga" – sem grandes empenhos ou perda de tempo.

Na verdade, o nome de batismo é Lámen (La: massa estirada + Men: Macarrão; ou seja, macarrão com fios longos, estirados), que surgiu na China há muitos séculos, seguindo depois para a Mongólia, Rússia, Coréia e Japão – chegando à Itália só no século XII através de Marco Pólo. No Brasil, o lámen foi lançado muito depois do macarrão convencional, com o nome de miojo – já em sua forma enroladinha e de cozimento instantâneo –, denominação que se confundiu com o nome do produto, assim como a lâmina de barbear virou gilete e a esponja de aço virou bom-bril. Na verdade, juntamente com o macarrão convencional, o lámen tomou conta do mundo.

Assim, pode continuar a ser um "miojófilo", mas ao menos assuma ares de alguma dignidade.

Minas Kuyumjian