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Nossa História
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BENDITO MALDITO MIOJO
Escrevo este artigo por compaixão. Me dá muita pena ver tanta gente
comendo quase todos os dias, entusiasmada, o miojo apenas com aquele
temperinho que vem na embalagem – só porque não demora mais que três
minutos e pode ser feito por autistas, mongolóides e até por filhos da
gente. Se você está em férias, espremido numa barraca de camping ou
empilhado num apartamentinho emprestado e não quer se preocupar com o
estômago, tudo bem. Digamos que sejam situações de emergência. Mas, em
casa – porque é estudante, porque mora só ou por puro comodismo – é
melancólico. Afinal, há muitas maneiras saborosas de se preparar o miojo
e fugir do simples "enche-barriga" – sem grandes empenhos ou perda de
tempo.
Na verdade, o nome de batismo é Lámen (La: massa estirada + Men:
Macarrão; ou seja, macarrão com fios longos, estirados), que surgiu
na China há muitos séculos, seguindo depois para a Mongólia, Rússia,
Coréia e Japão – chegando à Itália só no século XII através de Marco
Pólo. No Brasil, o lámen foi lançado muito depois do macarrão
convencional, com o nome de miojo – já em sua forma enroladinha e de
cozimento instantâneo –, denominação que se confundiu com o nome do
produto, assim como a lâmina de barbear virou gilete e a esponja de aço
virou bom-bril. Na verdade, juntamente com o macarrão convencional, o
lámen tomou conta do mundo.
Assim, pode continuar a ser um "miojófilo", mas ao menos assuma ares de
alguma dignidade.
Minas Kuyumjian